domingo, 5 de fevereiro de 2012

Negócios da Ucrânia, da Rússia, dos Emirados...

"A batata tá 12 e o filé mignon 1,50!" 
Há pouco menos de um mês, o colunista Gabriel Hirabahasi publicou aqui no GdL E.C. o texto "Negócio da Ucrânia", no qual falava sobre a contratação de Jadson. Na oportunidade, o destaque era o fato de o meia ter vindo para o São Paulo por uma quantia que se aproximava de 9 milhões de reais, valor esse considerado baixíssima se levada em conta a qualidade do jogador e as cifras que têm rodeado o futebol.

Mas o que Gabriel e nós, outros fãs de futebol, não sabíamos é que o Corinthians também conseguiria fazer um "negócio da china". O meia armador Douglas, que já teve boa passagem pelo clube e estava atualmente no Grêmio, foi repatriado pelo alvinegro por "míseros" 3 milhões de reais.

Sei que dizer que 3 milhões de reais é uma miséria deve deixar muita gente indignada, mas se analisarmos o antecedente do mercado, esse valor realmente não representa nada. Fazendo uso de algumas informações do post citado e incluindo outras é possível montar uma tabela, cujos dados nos permitem fazer algumas considerações.


Para começo de conversa, identificamos alguns fatos curiosos. O clube russo Spartak Moscou aparece duas vezes na lista, enquanto que a Ucrânia tem dois clubes relacionados. Poderíamos pensar então que o Spartak é um clube endinheirado que gastou fortunas duas vezes. Poderíamos imaginar que o futebol ucraniano vive uma crise e seus clubes estão tendo que fazer maus negócios para se segurarem, ou talvez seja um momento forte da economia do país, e eles estão investindo pesado em grandes atletas. Não. Aparentemente os preços estipulados nas negociações dependem de outra coisa: o bom senso.

O Spartak, clube que deveria ser o comprador gastão nessa história, vendeu Alex para o Corinthians por 14 milhões de reais e Ibson para o Santos por 8,2 milhões de reais, valores que podem ser considerados um pouco acima do que seria justo pelos atletas, mas nada de absurdo. Essa parte da história faz muito sentido. Um clube possui dois jogadores que querem sair, surge um interessado. Se esse clube não tem tanto interesse em vender, mas também não faz questão de segurar um atleta que está com má vontade, é bastante racional que ele peça um valor que compense financeiramente, mas sem nenhum tipo de supervalorização.

Se o time de Moscou demonstra bastante racionalidade, os ucranianos devem estar com dinheiro sobrando! Enquanto o Metalist decidiu torrar 9,2 milhões em Marlos, um jogador que até demonstra potencial, mas é uma completa incógnita, o Shakhtar decidiu que não quer nem dinheiro nem jogador, liberando um de seus melhores jogadores, o meia brasileiro Jadson, por uma quantia inferior à que ele valeria.

A venda de Bruno César por 13,5 milhões de reais parece ter sido um negócio justo, visto que o jogador ainda é novo e já estava despontando no alvinegro. A compra de Valdivia pelo Palmeiras, por outro lado, não parece ter sido muito proveitosa. O valor de 20 milhões de reais já é um pouco elevado se considerarmos o Valdivia de 2008, se usarmos como parâmetro a fase que o Mago vive desde que voltou, chegamos a um erro ainda maior. Mas os maiores absurdos estão nas pontas da tabela.

Fonte: terceirotempo.bol.uol.com.br
O argentino Montillo é um craque. Isso é um fato. O jogador realmente resolveu no Cruzeiro e não foi por acaso que despertou o interesse de muitos clubes. O Corinthians foi o mais insistente e chegou a oferecer uma quantia que passava de 20 milhões de reais, no entanto, a diretoria da Raposa deixou claro que não liberaria o atleta por menos de 40 milhões. A diretoria paulista decidiu desistir da contratação e foi buscar uma solução mais barata. Não é de hoje que Douglas dá a entender que quer sair do Grêmio, e também não é novidade para ninguém que a torcida corintiana gostaria de tê-lo de volta no time. A surpresa foi a facilidade com a qual a transação se desenvolveu.

Uma oferta de 3 milhões de reais e a diretoria gaúcha prontamente liberou Douglas. Os acertos salariais também não foram difíceis e em pouco tempo o meia foi oficialmente anunciado. É claro que atualmente Montillo é um jogador superior ao novo reforço da fiel, mas cá entre nós: alguém aí acha que ele é TREZE VEZES mais jogador?

O mercado da bola está muito confuso. Um Alex vale quase o mesmo que um Bruno César, mas ambos juntos não dão um Montillo. Marlos e Ibson são atletas do mesmo nível que Jadson, enquanto que esse vale apenas meio Valdívia... o equivalente a uns seis ou sete Douglas. Dentro de toda essa lógica sobram três coisas importantes:

- Corinthians e São Paulo fizeram excelentes negócios. O futebol brasileiro só tem a ganhar com o retorno de seus principais atletas, mas que os clubes tomem cuidado para não caírem no "conto do craque em decadência".

- Os dirigentes precisam entender que supervalorizar seu atleta é tão inútil quanto desvalorizá-lo e, se possível, parar de fazer ambas as coisas. Ao passo que os atletas precisam entender que seus empresários são apenas funcionários e de nada vale aceitar uma proposta que enche a carteira se ela esvazia a felicidade, pois nem sempre vai ter um Shakhtar pra liberá-los por merrecas.

- E por fim o mais importante: Alguém quer contratar um colunista? Prometo que custo menos que o Douglas e escrevo mais do que o Montillo...

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