quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Jogai por nós

(Foto: Agência Estado)
A torcida santista nunca foi tão grande. Corintianos, vascaínos, flamenguistas e tricolores (paulistas e cariocas) foram “Santos desde criancinha” na noite de ontem. A corrente contra o Botafogo, no jogo atrasado pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, era tão forte que o time chegou à Vila Belmiro pior do que carne seca.

Depois de duas vitórias convincentes sobre Corinthians e Atlético Paranaense, o Fogão foi à Baixada em busca de um triunfo e, consequentemente, da liderança do campeonato. O Santos, que não tinha absolutamente nada a ver com isso, entrou em campo com o único objetivo de “treinar” para o Mundial de Clubes.

Mesmo jogando fora de casa, não parecia ser um grande desafio para o Botafogo. O bom futebol apresentado nas últimas duas rodadas e o reduzido interesse do adversário no Brasileiro construíam um cenário favorável aos cariocas. Mas a pressão de poder alçar a estrela solitária ao topo da tabela e a “secação” extrema de todos os outros times que disputam o título talvez tenham feito com que os jogadores botafoguenses entrassem em campo acuados.

O jogo foi tecnicamente fraco, decidido em duas jogadas de puro talento individual. O grande duelo parecia ser mesmo entre Neymar e Fábio Ferreira, em uma disputa complicadíssima pelo cabelo mais ridículo. E o santista levou a melhor. 

Na partida, as principais ações ficaram por conta do time da casa, que logo aos 15 do primeiro tempo  abriu o placar em mais um lance genial daquela calopsita que veste a camisa 11. Neymar carregou a bola do meio de campo até a entrada da área e deu dois cortes secos entortando a coluna de Bruno Tiago, que caiu de bunda no chão, tadinho. Mesmo cercado por três marcadores, o craque teve ainda frieza para chutar de bico, no canto esquerdo de Jefferson. Golaço.

Pouco tempo depois, foi a vez de Borges deixar sua marca pela 22ª vez no campeonato, igualando o recorde de Serginho Chulapa, até então maior artilheiro santista em uma única edição do Brasileiro (1983). O atacante recebeu de costas para o gol, se livrou da marcação, girou e mandou uma bomba no cantinho. A “gordinha” ainda deu uma “bitoca” na trave antes de morrer nos fundos da rede. 

Com a vantagem confortável no placar, coube ao Santos administrar o resultado até o final da partida. Foi o fim de um incômodo jejum de cinco jogos – dois empates e três derrotas. Os santistas ainda entrarão em campo em mais oito oportunidades pelo Brasileiro, imprescindíveis na preparação da equipe para o Mundial. O Japão “é logo ali” e Muricy Ramalho quer seu time voando para uma provável final contra o inofensivo Barcelona, do perna-de-pau Lionel Messi.

Ao Botafogo, faltou o ímpeto de campeão. A equipe não vence na “hora agá” e o trocadilho me parece inevitável: só querem mesmo “botar fogo” no campeonato. Fica aquela terrível sensação de que “têm coisas que só acontecem com ele”. Os rivais agradecem.

@felipevaitsman

2 comentários:

  1. "...abriu o placar em mais um lance genial daquela calopsita que veste a camisa 11." Genial!

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